Pedido de falĂȘncia: quando isso pode ser feito e quem pode solicitar?
- SpaceMoney Investimentos
- 20 de fev. de 2024
- 5 min de leitura
Atualizado: 4 de ago. de 2025
FalĂȘncia corporativa: entendendo os desafios, a recuperação, casos e alternativas

Ă comum ouvirmos sobre empresas que pediram falĂȘncia ou estĂŁo em processo falimentar. O Brasil possui inĂșmeros negĂłcios que enfrentaram essa situação, desde empresas consolidadas como a Americanas, Oi e Avianca atĂ© startups e clubes de futebol.
A falĂȘncia de empresas Ă© um tema complexo. No entanto, tem um impacto significativo, nĂŁo apenas nas organizaçÔes envolvidas, mas tambĂ©m em seus credores, funcionĂĄrios e na economia como um todo.
Pensando nisso, confira agora um guia completo sobre o assunto. Assim, vocĂȘ entenderĂĄ o que Ă© um pedido de falĂȘncia, quem pode pedir e quando isso ocorre.
O que Ă© falĂȘncia de empresas?
A falĂȘncia ocorre quando uma empresa se torna incapaz de pagar suas dĂvidas no vencimento. Em outras palavras, isso pode acontecer por diversas razĂ”es. Por exemplo, mĂĄ gestĂŁo financeira, mudanças no mercado ou aumento da concorrĂȘncia.
Uma vez que uma empresa enfrenta dificuldades financeiras significativas e nĂŁo consegue honrar seus compromissos, ela pode optar por declarar falĂȘncia.
O processo geralmente começa quando a empresa ou seus credores apresentam uma petição no tribunal. Esta petição pode ser voluntĂĄria, caso a empresa escolha declarar falĂȘncia. Por outro lado, pode ser involuntĂĄria, se os credores a solicitarem devido Ă incapacidade da empresa de pagar as dĂvidas.
Assim que a petição Ă© aceita, um administrador judicial é designado para supervisionar o processo. Ele gerencia os ativos da empresa, avalia as dĂvidas e coordena os pagamentos aos credores. AlĂ©m disso, garante conformidade com as leis.
Em seguida, o administrador judicial realiza uma avaliação detalhada dos ativos e passivos. Isso inclui a anĂĄlise de inventĂĄrios, propriedades e contas a receber. Bem como dĂvidas pendentes, contratos e outros aspectos financeiros. Com base nesta avaliação, ele elabora um plano de pagamento aos credores.
O plano de pagamento Ă© entĂŁo submetido ao tribunal para aprovação. Nesse sentido, os credores tĂȘm a oportunidade de revisar e votar no plano. Por fim, o tribunal decide se ele Ă© justo e viĂĄvel.
Uma vez aprovado, o plano é implementado. Por conseguinte, isso pode envolver a venda de ativos e distribuição de pagamentos. Além disso, outras açÔes necessårias para liquidar as operaçÔes da empresa de maneira ordenada.
Após o cumprimento das obrigaçÔes estabelecidas no plano, a empresa pode ser oficialmente encerrada.
Durante o pedido, o que acontece com a empresa, funcionĂĄrios e credores?
Quando uma empresa declara falĂȘncia, um administrador judicial Ă© nomeado. Seu papel Ă© liquidar os ativos da empresa e distribuir os recursos entre os credores.
Em alguns casos, a empresa pode ser reestruturada e continuar suas operaçÔes sob supervisĂŁo. Por outro lado, em outros casos, os ativos da empresa sĂŁo vendidos para pagar dĂvidas pendentes.
Os credores recebem pagamentos de acordo com uma hierarquia estabelecida por lei. Em primeiro lugar, os credores garantidos, que possuem prioridade sobre os ativos, geralmente sĂŁo os primeiros a serem pagos.
Em segundo lugar, os credores nĂŁo garantidos geralmente recebem uma porcentagem menor. Ăs vezes, podem nĂŁo receber nada, dependendo dos recursos disponĂveis apĂłs o pagamento dos credores garantidos.
Os funcionĂĄrios tambĂ©m sofrem os impactos da falĂȘncia. No entanto, a legislação geralmente prevĂȘ proteçÔes para seus direitos. Isso pode incluir o pagamento de salĂĄrios atrasados e indenizaçÔes trabalhistas. Bem como outros benefĂcios conforme determinado pela lei local.
Tipos de falĂȘncia
A falĂȘncia pode ser iniciada de trĂȘs formas principais. Na falĂȘncia requerida por credores, a mais comum, um ou mais credores pedem judicialmente a falĂȘncia da empresa. Eles alegam inadimplemento, como tĂtulos protestados acima de 40 salĂĄrios mĂnimos. Ou ainda, atos de falĂȘncia fraudulenta ou fechamento abrupto sem justificativa. Esta modalidade protege os credores e garante liquidação ordenada do patrimĂŽnio.
Na autofalĂȘncia, a prĂłpria empresa reconhece sua insolvĂȘncia e solicita judicialmente a falĂȘncia. Os motivos comuns incluem insolvĂȘncia irreversĂvel e desejo de evitar cobranças mĂșltiplas. AlĂ©m disso, a possibilidade de maior controle na liquidação dos bens. Embora pareça negativa, esta pode ser uma medida estratĂ©gica para encerrar atividades de forma menos conflituosa.
JĂĄ a falĂȘncia decretada durante recuperação judicial ocorre quando uma empresa em recuperação descumpre o plano aprovado. Ou entĂŁo, comete irregularidades, levando o juiz a converter o processo em falĂȘncia. Os principais motivos incluem inadimplemento do plano e prĂĄticas que comprometem a viabilidade da empresa. Bem como ocultação de bens. Esta situação Ă© particularmente delicada por indicar que a tentativa de recuperação fracassou.
Exemplos de empresas que pediram falĂȘncia
Recentemente, algumas empresas passaram por esse processo. Infelizmente, esta Ă© uma realidade nĂŁo tĂŁo incomum no mundo dos negĂłcios. No Brasil, algumas empresas recentes que encontraram dificuldades financeiras insuperĂĄveis incluem:
Grupo Oi, uma das principais empresas de telecomunicaçÔes do Brasil, entrou com pedido de recuperação judicial em 2016. A causa foi uma dĂvida de mais de R$ 65 bilhĂ”es. A crise resultou de mĂĄ gestĂŁo e alta competição. AlĂ©m disso, mudanças regulatĂłrias e investimentos pesados. ApĂłs intensas negociaçÔes, a Oi aprovou um plano de recuperação em 2018, convertendo parte da dĂvida em açÔes. Desde entĂŁo, a empresa tem se reestruturado.
A Avianca Brasil, subsidiĂĄria da Avianca Holdings, era lĂder em voos domĂ©sticos e internacionais. Contudo, enfrentou problemas financeiros severos e pediu recuperação judicial em 2018. As dificuldades surgiram de alta competição e custos crescentes. Bem como mĂĄ gestĂŁo financeira e dĂvidas. Apesar dos esforços para reduzir custos, a situação piorou. Como resultado, a empresa suspendeu suas operaçÔes em 2019. Por fim, teve sua falĂȘncia decretada em julho do mesmo ano.
A Livraria Cultura, tradicional rede de livrarias do Brasil fundada em 1947, entrou com pedido de recuperação judicial em 2018. A empresa sofreu com a digitalização do setor e o aumento das vendas online. AlĂ©m disso, a queda nas vendas fĂsicas. Mesmo apĂłs tentativas de reestruturação, nĂŁo conseguiu equilibrar as finanças. Em fevereiro de 2023, a Justiça decretou sua falĂȘncia, encerrando uma era no varejo cultural do paĂs.
A Ricardo Eletro, uma das maiores varejistas de eletrodomĂ©sticos do Brasil, enfrentou sĂ©rias dificuldades financeiras a partir de 2019. Com a queda nas vendas e alto endividamento, a empresa entrou em recuperação judicial em 2020. O agravamento da crise, somado a escĂąndalos envolvendo seus executivos, culminou no pedido de falĂȘncia. Este foi oficializado em 2022, apĂłs anos de retração e fechamento de lojas.
Quais alternativas essas empresas tem alĂ©m da falĂȘncia?
Antes de considerar a falĂȘncia, as empresas devem explorar todas as alternativas disponĂveis. A renegociação de dĂvidas permite que a empresa trabalhe diretamente com seus credores. Assim, pode modificar condiçÔes de pagamento. Por outro lado, a reestruturação financeira reorganiza ativos e passivos para criar uma base mais sustentĂĄvel. Em casos mais extremos, fusĂ”es e aquisiçÔes (M&As) podem oferecer uma saĂda. Nesse caso, empresas financeiramente estĂĄveis assumem o controle.
A falĂȘncia empresarial Ă©, sem dĂșvida, um fenĂŽmeno triste que traz consequĂȘncias significativas. Enquanto algumas organizaçÔes conseguem se recuperar, outras infelizmente nĂŁo alcançam o mesmo resultado positivo. Por conseguinte, encerram definitivamente suas operaçÔes.
O pilar fundamental para evitar a falĂȘncia Ă© uma gestĂŁo financeira sĂłlida. Isto envolve controle rigoroso das finanças e planejamento estratĂ©gico. Bem como administração eficiente dos recursos. Igualmente importante Ă© a capacidade de adaptação Ă s constantes mudanças do mercado. Assim, reconhece-se sua natureza dinĂąmica e volĂĄtil e desenvolve-se a habilidade de ajustar-se rapidamente.
Por fim, a sobrevivĂȘncia empresarial depende de decisĂ”es estratĂ©gicas inteligentes. Ă preciso analisar cuidadosamente todas as opçÔes antes de qualquer ação significativa. Em momentos crĂticos, nĂŁo hesitar em buscar consultoria especializada pode ser o diferencial. Em outras palavras, pode determinar se a empresa supera a crise ou enfrenta o encerramento definitivo das atividades.